homem contemplando um lago entre montanhas

31 janComo eu desenvolvo a auto-observação?


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“O objetivo da auto-observação é o de nos capacitar a modificar a nós mesmos. Mas o seu primeiro objetivo é o de nos fazer mais conscientes de nós mesmos. Somente isso nos habilita a começar a mudar”.

Maurice Nicoll

Gurdjieff, filósofo e mestre espiritual, diz em seu livro, O Quarto Caminho, que há 4 estágios de consciência. São eles:

Sono: este estado é o do homem dormindo

Estado de vigília: este é o estado que a maioria das pessoas estão. Funcionando no “automático”. Caracterizado por um consciência semi-desperta do dia a dia, consciência esta que está bastante próxima do estado do sono, com seus “sonhos acordados” (fantasias, devaneios). Onde ficamos ansiosos (preocupados com o futuro ou deprimidos –  se trata da doença que é um transtorno bioquímico – apegados ao passado).

Estado de autorrecordação: este estado é caracterizado pela capacidade que o homem tem de “lembrar-se de si mesmo”, ou seja, neste estado existe o desenvolvimento de um “eu” que está presente e é capaz de ter consciência de si mesmo.

Estado de consciência objetiva: este seria o estágio mais elevado de consciência possível ao homem e neste estado, sua apreensão das realidades externas e internas possuem como característica principal a objetividade. Com o termo “objetividade”, Gurdjieff se referia à apreensão das coisas como elas são verdadeiramente, e não como as vemos através dos filtros e condicionamentos do que aprendemos na cultura que estamos inseridos.

O nosso convite é que consigamos subir um degrau e chegar nesse terceiro estágio. Normalmente, somos uma multiplicidade de “eus”. Somos uma pessoa no trabalho, outra pessoa na família, outra com os amigos e ainda outra pessoa quando estamos praticando aquele hobby que somos apaixonados. Isso não significa que somos falsos, apenas que assumimos esses papéis sociais.

E você já parou para pensar que talvez quando estamos sozinhos, talvez nossos pensamentos e emoções também são papéis? Que aprendemos, os incorporamos e agimos de forma que assumimos como sendo o verdadeiro eu, pois eles se tornam automáticos, inconscientes. 

Na evolução do homem, o aprendizado desses comportamentos automáticos, ou hábitos, foram muito úteis, pois assim, aprendemos algo que faremos sempre e “sobra espaço” para aprendermos algo novo. Imagina ter que refletir e aprender algo do zero toda vez que precisávamos caçar, ou reagir a um ataque de algum animal ou uma tribo? 

E essa habilidade fundamental fez com que a gente acabasse criando condicionamentos acerca de outros condicionamentos, pensamentos e ações. E assumimos isso como se fosse algo dado, que está no nosso DNA.

Dessa forma, se exercitarmos e desenvolvermos um eu-observador de nós mesmos, podemos identificar nossos hábitos, comportamentos e observar, inclusive, como nos comportamos em diferentes papéis que assumimos (no trabalho, com amigos, com nós mesmos) e a partir daí avaliar que hábitos que nos trazem resultados positivos e que hábitos não e que podem ser mudados. É como se a gente tivesse uma série de softwares instalados e a partir disso, pudéssemos instalar ou desinstalar esses softwares. Para fazer isso é preciso exercitar, é como ir à academia. Para um músculo ficar forte precisa de algum tempo de treino.

E a primeira coisa para conseguirmos desenvolver o eu-observador é exercitarmos o não-julgamento de si mesmo ou do outro. Na Antropologia, chamam isso de Relativismo Cultural. Ele foi criado pelo Franz Boas, que começou a questionar a visão do que é certo com base na perspectiva ocidental. Exercitar o não julgamento é olhar o outro com base na cultura do outro. Um exemplo de aplicação do relativismo cultural em pesquisas antropológicas pode ser visto no estudo de sociedades tradicionais isoladas de influências ocidentais. Digamos que em uma tribo da Oceania, as relações de parentesco sejam pela linha matriarcal, e o irmão da mãe, ou seja o tio, faça o papel que o pai executa nas sociedades ocidentais. Se viajamos para um país muito diferente do nosso, começamos estranhando um hábito, depois o entendemos e, por fim, passamos até a gostar dele. Ao olhar “sob os ombros” do outro, vemos uma atitude desse outro com o olhar desse outro. Procurando entender o porquê ele aprendeu e incorporou esse hábito. Com isso, podemos fazer isso com a gente mesmo. Vamos praticar?

Artigo escrito por Evelyn Kieliszek com base no artigo “O Eu-Observador de Gurdjieff“, de Elias Minasi e nos livros “Em busca do ser: O Quarto Caminho para uma Nova Consciência“, de G. I. Gurdjieff e “Antropologia Cultural“, de Frans Boas.

 

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